História da Automação Comercial – Parte 7 e Final

Tempo de leitura: 6 minutos

Porque entender a história da automação comercial vai ser útil para você? Para entender como gastar menos no investimento e manutenção da sua regulamentação fiscal. Automação Comercial e Cupom Fiscal andam lado a lado. Um(a) bom(boa) empresário(a) deve conhecer bem o contexto de negócios em que está se arriscando, e a parte tributária é uma das mais complexas e difícil de todas.
Dominar essa trajetória vai ajudá-lo(a) a entender porque a legislação atual foi arquitetada dessa forma. Espero que a série “História da Automação Comercial” o ajude a conhecer melhor seu campo de batalha! 😉

É bem provável que em algum momento da história da automação comercial olhemos para o período mencionado e comentemos, com graça, o que está acontecendo.

Estes são difíceis para grande parte dos revendedores, em especial para aqueles que não identificaram antes a queda das margens nas vendas de hardware e a necessidade de se incrementar produtos e serviços a oferta tradicional, como softwares de gestão, TEF, etc…

No mercado temos a entrada da Ingram Micro no cenário de AC e AIDC, movimento que já haviam feito no passado e que decidiram retomar. A Officer, apesar dos esforços, patina no mercado, abrindo um espaço grande para a Network1 e para a Scansource. Viramos o ano de 2014 com a Network1 sendo o principal concorrente da Scan, uma vez que os demais ainda estão ou em fase de implementação ou patinando. Além disso, neste período, a Bematech retoma sua estratégia de atendimento corporativo diretamente, o que causa certo pessimismo nos revendedores.

As adquirentes Cielo e Rede começam a entrar na jogada…

Uma outra característica interessante destes dois anos é que o assunto Meios de Pagamento volta com muita força e empresas como Cielo e Rede voltam a flertar com revendedores e software-houses. A Cielo, por exemplo, divulga em 2014 uma Joint Venture com a Linx para oferta de soluções de automação de ponto de venda e meios de pagamento integrados. A Rede, por sua vez, aproxima-se demais da AFRAC e começa um trabalho de credenciamento de parceiros estratégicos no segmento. Houveram outras tentativas no passado de integração destas operações por outras adquirentes, sem sucesso. Penso que, em um futuro próximo, se as revendas não fizerem o trabalho de casa, Cielo e Rede darão um jeito de ir na ponta sem eles. Simples assim.

olha só quem aparece na história… 😉

Uma outra transformação que começa a acontecer é a chegada de soluções para automação de micro varejos, com empresas como a PinGOBox surgindo e a Bematech lançando produtos como o Bemacash.

A característica destes produtos é interessante: são compactos, baseados em Tablets, ocupam pouco espaço e rodam em Cloud. São soluções descomplicadas para clientes muito pequenos. Neste momento, produtos como este viraram febre nos EUA.

Todas estas soluções pegam carona nos Projetos da NFCe (nota fiscal do consumidor eletrônico) e do SAT, projetos que “matam” a impressora fiscal e tornam o ponto de venda automatizado menos burocrático. Infelizmente, estas duas iniciativas que seriam ótimas para o varejista patinam por conta da indefinição dos modelos que cada estado quer adotar. Sendo realista: mais uma vez o interesse individual de cada estado para que a arrecadação de ICMS seja confusa e permita a “guerra fiscal” existente tornam quase que inviável a implantação de novas tecnologias.

O ano de 2014 termina com projetos iniciados de NFCe sendo revogados ou prorrogados, incertezas sobre o SAT e a certeza de que cada estado brasileiro poderá adotar um sistema diferente, enlouquecendo Software-houses e fabricantes de equipamentos. Isso sem contar a ECF do convênio 09/09, popularmente conhecida como “ECF Blindada” que será adotada em alguns estados, como Santa Catarina, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.

Este também foi um período de grandes aquisições: a Honeywell comprou a Intermec e a Datamax e a Zebra comprou a Motorola Solutions. Com isso, a cada nova aquisição, o mercado se concentra em menos players, que vão ficando cada vez maiores. Ah, claro: e para finalizar o período, nada como a aquisição da Network1 pela Scansource…

O ano de 2015 não promete ser um grande ano e os revendedores estão sim preocupados (assim como distribuidores e fabricantes). É um ano também de incorporação da operação da Network1 pela Scansource e da Motorola pela Zebra. O cenário futuro, que se pinta, é o de um mercado centralizado na mão de poucos fabricantes (não mais que 10) e de poucos distribuidores. Pouco a pouco, o mercado brasileiro vai se tornando parecido com o mercado americano.

Em relação aos revendedores infelizmente não vejo outro cenário que não seja o de redução drástica no número dos mesmos. Os distribuidores sempre se gabaram em dizer que venderam ao longo do ano para “X” mil Clientes (leia-se CNPJs) diferentes, etc. Na minha visão, o número máximo de REVENDEDORES que existem no mercado de AC é de 200 empresas e no mercado de AIDC 50. Os demais possuem volumes muito pequenos ou são empresas que focam em outas verticais e AC ou AIDC fazem parte apenas do negócio.

As soluções para micro clientes com meio de pagamento embutido devem ganhar cada vez mais relevância e importância e devem, pouco a pouco, serem incorporadas ao mix de produtos dos revendedores.

As novas soluções fiscais (ECF Blindado, SAT e NFCe) ainda levarão um tempo considerável para fazer parte do varejo brasileiro, jogando certo balde de água fria em quem acreditava que estes projetos seriam implementados rapidamente.

Este cenário de incertezas colabora e muito com a dificuldade dos canais em adequar suas empresas a este novo mercado de AC e AIDC que está surgindo.

Infelizmente, para grande parte dos revendedores, os próximos anos representarão o fim dos seus negócios. Em compensação, para aqueles que conseguirem ficar, o mercado que os aguarda será EXCEPCIONAL… Que venham os próximos anos!

A série “História da Automação Comercial” foi escrita pelo parceiro Vitor Peixoto, originalmente para a nossa primeira versão deste blog, a Revolução do Varejo.

Atualmente, Vitor escreve para o blog informa.ti, e o conteúdo dessa série está publicada neste post.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *