História da Automação Comercial – Parte 6

Tempo de leitura: 6 minutos

Porque entender a história da automação comercial vai ser útil para você? Para entender como gastar menos no investimento e manutenção da sua regulamentação fiscal. Automação Comercial e Cupom Fiscal andam lado a lado. Um(a) bom(boa) empresário(a) deve conhecer bem o contexto de negócios em que está se arriscando, e a parte tributária é uma das mais complexas e difícil de todas. Dominar essa trajetória vai ajudá-lo(a) a entender porque a legislação atual foi arquitetada dessa forma. Espero que a série “História da Automação Comercial” o ajude a conhecer melhor seu campo de batalha! 😉

Fala pessoal. Chegamos a um período de grandes transformações. A Officer acaba de comprar a BP Solutions. E de repente, temos no mercado um distribuidor de Automação Comercial realmente “rico”, com caixa para investir.

Para os revendedores de AC “puros”, essa compra poderia representar a entrada de novas empresas de TI no mercado de AC. O problema disso, na visão dos revendedores, era que estes poderiam estragar as margens do mercado, visto que o pessoal de TI está acostumado a trabalhar com margens menores.

De qualquer forma, os revendedores e todo o mercado mantiveram-se em alerta, esperando. E o tempo foi passando, e passando e o fato é que nada de muito importante aconteceu. A Officer manteve sua operação de TI separada da BP Solutions. Até porque, ambas as empresas estavam crescendo e o mercado, de forma geral, estava muito bom. Aliás, a tal da crise americana não pegava no Brasil e o mercado continuou aquecido para nós (entendam nós como revendedores, distribuidores e fabricantes).

A bomba que mexeu no mercado

Ainda em 2009 uma Bomba: a Bematech, que há muito havia se afastado do mercado de distribuição, fecha com a CDC Brasil para que esta voltasse a distribuir seus produtos. Fabricantes são convocados dias antes do anúncio ao mercado para saberem da “novidade”. No dia em que o mercado sabe o mundo para: então a Bematech, a empresa que anos antes havia deixado os distribuidores na mão (segundo a visão de alguns), volta. E a CDC aceita?

Bom, fato é que o negócio começou a trazer frutos positivos para ambos e esta nova aproximação poderia representar uma reviravolta para a CDC. E, na minha visão ajudou a representar já que, em 2010, a mesma protagonizaria outra bomba: a Scansource, maior distribuidor de automação comercial no mundo, compra a operação da CDC Brasil em um negócio milionário. E agora, da noite para o dia, dois grandes players entram no mercado de AC brasileiro, capitalizados e com projetos de expansão.

Pronto. Cenário montado para o revendedor refletir: e agora? Como lidar com 2 empresas tão grandes? A maioria sequer considerou isso. Na verdade, estavam preocupados demais com as revendas “pontocom”, os e-commerces, que vinham em um processo pesado de consolidação nos últimos anos e a partir de 2009 passaram a ser altamente relevantes.

O crescimento da Linx e os anos seguintes

Também neste período uma outra empresa começa a ficar importante no cenário: a Linx Sistemas, software-house especializada em varejo, começa um processo de expansão pesado e compra, em pouco mais de 2 anos, quase uma dezena de empresas. Tudo parte de um processo audacioso de abertura de capital na Bolsa de Valores (coisa que a Bematech havia feito há pouco tempo) e garantia de um plano de crescimento muito bem estruturado.

Sem dúvida nenhuma os anos de 2009 a 2011 representaram anos de mudança para os revendedores e para todo o mercado. Também foram anos onde muitos revendedores ganharam muito dinheiro. Mas, estes 3 anos antecederam dois assuntos que seriam pauta nos anos seguintes: o fim do ECF e a falência do Canal (parafraseando meu grande amigo Isac Berman). Infelizmente, para muitos, estes foram os últimos anos a se comemorar. Mas isso é tema para o próximo Post.

Já em 2012 o primeiro assunto relevante é que neste ano algumas revendas tradicionais de AC começam a ter dificuldades para se manter no mercado. As previsões, que haviam começado anos atrás, começam a se tornar realidade. Sim, aquela revenda dependente demais da venda de HW e com pouca receita em serviços ou SW, começa a agonizar. Alguns, ao longo de 2012 ficaram pelo caminho infelizmente. Este ano também não foi um ano fantástico em termos de resultados. O mercado começou a ter dificuldades e as vendas já não foram tão boas como haviam sido entre 2009 e 2011.

Neste período a Scansource, que havia adquirido a CDC Brasil, consolida ainda mais sua posição de liderança no mercado. Não podemos deixar de dizer que foram competentes, mas a incompetência ou falta de definição de modelo de negócios de outros players colaborou. A Officer, que anos atrás havia adquirido a BP Solutions ainda não sabia direito o que fazer com a área de AC. A DN Automação tentava concorrer em algumas praças, mas competir com o capital da Scansource era quase impossível.

Cenário propício para que dois players de TI olhassem o mercado de AC com bons olhos: Ingram Micro e Network1. Ambos, cada um ao seu modo, começam a estruturar operações para atuar no mercado de TA. A Primei Interway, distribuidor com foco em AIDC também se movimenta e oferece certa concorrência em algumas linhas de produtos. Mas era difícil competir com o portfólio da Scan, incrementado pela Bematech.

ingram micro

Até que a Network1 anuncia que, entre os fabricantes a serem distribuidos, estaria a Bematech. Para muitos, esta foi uma forma de haver certa concorrência, muito embora a Bematech mantenha uma política comercial bastante organizada com classificação de revendedores através dos resultados obtidos. De qualquer forma, a entrada de novos players representava uma quantidade maior de opções de compra para os canais e o dia a dia ajudaria a definir quem seria relevante ou não.

A Bematech, também em 2012, vivia um momento bom no mercado e com relacionamento próximo aos canais. Muitos que anos atrás haviam optado por trabalhar com outras marcas voltam a experimentar seus produtos. A Linx também, conforme dito anteriormente, segue comprando Software-houses e ganhando relevância no mercado, pelo menos para os clientes finais. Entretanto, para os revendedores, não podemos dizer a mesma coisa…

Enfim, 2012 foi um ano difícil para alguns, bom para outros, com muitos acontecimentos e mudanças mas, nem de longe, poderíamos imaginar o que estava por vir. E em 2013, começamos a mergulhar em uma crise um pouco maior do que uma “marolinha”…

Quer saber o que acontece depois? Leia aqui a sétima e última parte da história da automação comercial.

A série “História da Automação Comercial” foi escrita pelo parceiro Vitor Peixoto, originalmente para a nossa primeira versão deste blog, a Revolução do Varejo. Atualmente, Vitor escreve para o blog informa.ti, e o conteúdo dessa série está publicada neste post.

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